quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal

Mais um Natal que se aproxima. E na véspera um dia tão escuro. Mas ainda bem. Que toda esta água a bater transfira energia para cada ponto do nosso íntimo seco, àspero, morto.
Estamos mortos. Mortos e a ser comandados. E o mais chocante é que sabemos.
Natal? Nascimento... de mais desejos consumistas alargados, de uma lufa-lufa inexplicável de pessoas entrelaçadas a empurrar-se, a caír como formigas que se pisam para chegar ao Inverno com o formigueiro o mais cheio possível.
Que este Natal seja diferente... Uma excepção para todos os outros.
Um aconchego quente de carinho e solidariedade, mas alargado.. este dia realizado numa filosofia de vida mais correcta, completa e bonita, para todos os dias e não só mais um!
Que os presentes sejam dádivas de amor para com os outros. Não nos podemos esquecer de que, a família com quem partilhamos o Natal, é grande... são todos os que nos rodeiam.
E que este nascimento simbolize o nascimento de novos valores dentro de nós, Paz, Vida , Irmandade Liberdade...
Desejo a todos os amigos leitores um óptimo Natal, com todos os sonhos realizados, partilhado com todos os que mais amam. Sejam felizes !

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

azul

Sinto-me tão levezinha... Parece que levito devagar como se algo me absorvesse, mas ao contrário. Como se um silêncio cumplice se apoderasse de mim e me fizesse parar para reparar na nesga turquesa do céu gigante.
Como se tudo à minha volta pairasse muito abaixo de mim, que cada vez voo mais alto, que danço nas copas das árvores, e sussuro no ponto de convergência entre o horizonte e o céu: TU.
Que deste um rumo ao mar tão revolto e imenso, mas sempre AZUL.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

telesubjectiva 1

Tal como o vitral, a nossa alma devia ser simultaneamente translúcida e colorida.

(A minha objectiva foi subjectiva em Madrid (Páscoa 2009))

domingo, 22 de novembro de 2009

deste lado da janela


(2007, A.G. pela Leo)

E mais uma vez, finge que vive.
Perturbada pelo silêncio de um rádio estragado que emite ruídos que mais parecem gritos acumulados. Sentada no quarto, de caneta em punho, deixa transparecer no papel as palavras atabalhoadas que lhe escorrem pela caneta abaixo.

Por um só momento fecha os olhos e sorri.
As frases que se lhe atiram na alma, as pequenas palavras que a perturbam.

E no tecto vê uma mancha que se desdobra como bolas de fumo que desvanecem. Chega a questionar se enloqueceu.
Tantas pessoas que passam, confirma.
E para quê?
O desgosto do absurdo invade-lhe o espírito.

Demove-se de quase tudo e deseja abstraír-se por um momento. Mas não consegue. É simplesmente demasiado difícil.
A solidão amedronta-a. Rodeada de memórias, é a solidão que a assola. E a dúvida e o medo.
Deseja ser outro ser. Talvez um insecto que voa e observa tudo de forma diferente. A questão é essa. Ver tudo de forma diferente. Outros olhos, perspectivas melhores. Sonhos que brilham em frente.

Supostamente para alcançar isso, não era preciso ser um insecto.




( 8/9/9)

sábado, 21 de novembro de 2009

Poema do Esclarecimento

"todos fomos irmãos, hermafrodíticos como ostras
conferindo as nossas pérolas negligentemente

ainda ninguém tinha inventado a propriedade
nem a culpa nem o tempo

víamos as estações passar, éramos cristalinos como a neve
e fundíamo-nos suavemente em novas formas
enquanto estrelas giravam à volta das nossas cabeças

não tínhamos aprendido traição

os nossos eus eram pérolas
irritantes transmutados em brilho
e oferecidas negligentemente

as nossas pérolas tornaram-se mais preciosas e os nossos
sexos estáticos
a mutabilidade fez crescer uma concha, inventámos
línguas diferentes
novas palavras para novos conceitos, inventámos
despertadores
sebes lealdade
mesmo assim... ainda agora... fazendo uma ficção na
comunhão infinitas percepções
recordo
que fomos todos irmãos
e ofereço negligentemente"

Lenore Kandel, Antologia da Novissima Poesia Norte Americana

Bastante poderosa e explícita, a poesia contemporânea, brinca com as palavras contextualizando-as de forma a evocar realidades abstractas, do inconsciente que se enquadram no objectivo do poema.
Foi na década de 50 que esta surgiu, começando o movimento na Costa Ocidental em Boston, Black Mountain e Nova Iorque, especialmente com a poesia de Whitman, que aboliu o intelectualismo dos anos 30 e 40 rejeitando totalmente a poesia académica transformando-a numa escrita criativa e totalmente nova, alcançando novas concepções de poesia.
Estas concepções desenvolveram-se em paralelo com o Jazz e o Expressionismo Abstracto.
Pessoalmente, gosto bastante deste tipo de poema, mas era positivo que partilhassem opiniões e interpretações que fazem dele.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

simple touch

O que eu queria amar-te

Para um poema, apenas...

Emoldurar-te (comigo)

No intemporal e perfeito

quadro das palavras.

E contigo, criar arte.

Pôr-te num poema,

Verbalizar-te

Respirar-te

Encontrar-te

Possuir total liberdade de escrita

sem obrigatoriedade

de ser sintética e clara.

Colocar-nos naquele verso exacto

onde explorávamos o poder mágico

de um poema sem métrica, sem regras

e de um amor, pela poesia.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

musicaloucura

Não será descabido observar que a música nos torna loucos, por vezes, no melhor sentido da palavra. Deixa-nos com uma sede insaciável de criar, mais e mais, de não parar de reinventar novas formas de comunicar através dela. Num estado de êxtase eufórico.

Como prova disso fica o cenário de quatro adolescentes no Ikea a experimentar copos, com a garrafinha de água atrás para comprar aqueles que imprimiam o melhor som. Fica a brincadeira do zumbido de cristal no elevador, que fez ponderar aos velhotes típicos hipocondriacos se realmente estavam esquizofrénicos ou não.

Momentos. Tudo pela música. Imaginada e nova, agora na forma de cristal transparente e agudo meio vazio ou meio cheio, prontinho a engolir (ou não). Mas a música é isso mesmo!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Passiva

Passividade, num pedaço de tela que se divide em mil tons cada um dele cuidadosamente separado como uma micro ilha solitária, rodeada de um mar gélido e agitado à sua volta.
Um soprar de vento que passa e que arrasta consigo folhas.
Estas são cada olhar indiferente, cada resposta que ficou por ser dita, cada alma que não se manifestou e se deixou levar pela corrente energética de uma multidão apressada, autómata.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

sê teu filho

" Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria. Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Niguém te dá quem és. Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto. Sê teu filho. "

Fernando Pessoa

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Chá India


O chá é uma bebida que pode aquecer-nos nos dias de Inverno,

ou refrescar-nos no Verão.

É o nosso companheiro na indigestão,

o nosso aliado na má disposição.

Chique é o das cinco,

o melhor é o das dez.

mas até pode ser tomado às três !

Reconforta, acalma,

e ainda nos faz bem à alma!






O melhor é que ainda podemos ser nós a fazê-lo ! Aqui vai:


Ingredientes:

1 pau de canela, sementes de cardamomo, gengibre, cravos da india, pimenta do reino

1 litro de água

leite a gosto

chá preto ou verde

açúcar ou adoçante


Preparação:

Acrescente 11 g da canela, sementes de cardamomo, gengibre, cravos da índia e pimenta do reino com dois pacotinhos ou 4 g de folha de chá verde ou preto. Deixe ferver por 20 minutos, porque isso garante a extracção de todas as propriedades das raízes das plantas. Coe e acrescente o leite a gosto, quente ou gelado. Adoce a gosto !

domingo, 26 de abril de 2009

flores

É verdade. Nem todas as margaridas são flores, mas esta é.
Esta margarida não é vaidosa, apenas pequenina e por vezes ofuscada por flores maiores e mais bonitas: por grandes tulipas amarelas ou por vistosas violetas. O sonho dela é encontrar um girassol, mas no fundo ela percebe como são raros nesta vida os amores-perfeitos. O quanto é dificil cultivá-los. Ela sabe que para que estes cresçam são precisas pequenas grandes atenções a cada segundo de todos os dias desta vida.
E sabe também que se estes não forem posicionados no lugar certo onde incide o Sol, acabam por morrer com excesso de calor. Que precisam de água para não morrer à sede, mas que se esta for exagerada os faz perder a cor e a essência e um dia mais tarde, eles acabam por murchar.
O dificil na vida da margarida é que a Primavera está a chegar, e com ela chega uma vontade imensa de iniciar a grande procura por esse girassol bonito e espadaúdo, cheio de vitalidade e alegria para lhe dar. Mas a Primavera não é só uma estação romântica e aliciante, pois é por esta altura que todas as flores revelam aquilo que realmente são, e por vezes, quando essa realidade chega vem com ela uma grande desilusão seguida de pequenas lágrimas de orvalho. Quem disse que as flores não choram ?
Apesar disso, o pior é a certeza de que neste grande jardim da vida, muitas vezes as flores diferentes, mais únicas são irreconhecíveis e por isso arrancadas e pisadas como se fossem apenas meras ervas daninha.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

paki

Subitamente, foi como se tivesse visto uma saida, uma nova porta por abrir, uma vida nova.
Uma entrada para um lugar diferente, escondida até àquele dia com uma parede falsa que rapidamente desmascarei. Talvez demasiado rápido, demasiado cedo.
E tinha chegado a hora de explorar, de descobrir e sentir tudo o que estava por trás daquele portal.
Assim que coloquei o meu primeiro pé no seu interior, comecei a descobrir diferentes sensações, a experimentar o absurdo e a viver o puro non-sense, mas assim que voltava para trás restava um grande silêncio, demasiado áspero para ser suportável.
Todo o êxtase antes sentido era agora anulado, eu própria era auto-anulada e dentro de mim promessas giravam como que a dizer a mim mesma para não voltar ali.
Mas a expectativa superava o receio, a crença de que viria a ser maior, melhor e mais alucinante aquela experiência. A curiosidade de entregar o meu corpo e os meus sentidos àquela doce passagem para o surreal.
E as vezes que lá voltei excederam-se.
O êxtase ia subindo vertiginosamente, mas também o silêncio após isso era cada vez mais insopurtável e começava a matar-me. Era sucessivo e constante e aterrorizava a minha própria noção de sentir.
Jurei nunca mais voltar àquela entrada que avança para mim como um buraco no qual me parece nunca nesta vida deixar de caír.
A saída para os problemas tornara-se uma entrada para um Mundo ilusório que me quer aprisionar no seu interior, dispersando nele a minha identidade e deixando saír apenas o meu corpo.

'e agora suspensa num silêncio defunto, espero no ténue fio que separa este lado do outro, alcançar um ponto de equilíbrio... sem caír... '

terça-feira, 21 de abril de 2009

momento


olhar atento,
passo certeiro.
Sozinha
sozinho
sozinhos,
perdidos num momento.
um segundo que espero
silenciosa, em segredo.
dar-te um pouco do meu tempo
mostrar-te o meu mundo
eu dava tudo
por apenas um momento.