sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

feliz natal

Lá fora o vento precipita-se contra as árvores com uma força avalassadora. Está frio para saír de casa. Está-se melhor envolto no calor da família e dos sorrisos alinhados pelo reencontro que nos traz o natal. Vivem-se momentos em pleno junto dos que mais gostamos. E é também nesta época que recordamos aqueles que, sem uma família passam os natais de forma diferente.
Por outro lado o consumismo entra dentro de nós quase sem querermos e a confusão instala-se nas ruas e nos centros comerciais. Dou graças a deus por ser aquela "menina certinha" a quem no dia da consoada apenas faltam uns guardanapos coloridos e um sumo para o dito jantar. Apresso-me para ir buscá-los e deparo-me com o agradável espírito natalício do atropelo e confusão.
Os meus votos para este Natal é que as luzinhas que simbolicamente colocamos na rua iluminem também os nossos corações e que nos tornemos apenas bons uns com os outros. Que partilhemos sorrisos entre nós e olhares de conforto.
Espero também poder desfrutar dos momentos em família que esta época proporciona e poder trazer algo de novo para os meus poucos (mas bons!) leitores desejando-lhes um natal de paz, serenidade, muita felicidade e partilha em família ... e claro uns bons docinhos e prendas no sapatinho !

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

o tempo

A cada tic-taquear do relógio apressamo-nos mais para o nosso objectivo, e rendidos, paramos. Mas não por muito tempo pois é dele que somos escravos.
Os ritmos perdidos guiam a nossa mente, reinam sobre nós, e nós rendidos, paramos. Mas não por muito tempo pois é dele que somos senhores.
É preciso olhar o horizonte e ver a linha ténue em que podemos escrever linhas nunca antes pensadas.
É preciso olhar as árvores e perceber que as suas raízes se alimentam das folhas que já morreram e é com estas que crescem.
É preciso olhar a areia e deixar com ela moldar os nossos pés, pés com os quais caminhamos e alcançamos o nosso rumo.
Andamos demasiado apressados, para escutar, porque não basta olhar. É preciso ver.

Fernando Pessoa e eu

“Há no firmamento
Um frio lunar
Um vento nevoento
Vem de ver o mar “

Fernando Pessoa


A lua pousara-se no céu com a suavidade de uma pluma. O vento gélido fazia a pluma voar e girar e a lua dançava ao som de um sopro violento.
Eras tu e eu, naquele girar profundo que só o mar sabia em segredo. O nosso está fechado a sete chaves, como se de um tesouro se tratasse. Um tesouro só nosso que ninguém poderia encontrar.
O mapa escreveste-o num código impossível de decifrar por alguém que não nós.
Só a Lua estava presente no dia em que me beijaste por baixo de um céu estrelado.
De seguida, de mãos dadas decidimos dar nomes às estrelas e familiarizar-nos com as constelações. Dançámos com a lua entrelaçada nos braços e as estrelas rodopiavam à nossa volta com a música que emanava dos nossos corpos. Apesar disso a lua estava ali sem o querer, queria ver o mar, seu longo e eterno amado que de tanto gostar dela a reflecte nas suas ondas.
Assim, tu , reflectes em ti cada passo que dou, cada palavra que proferimos juntos a sussurrar para que ninguém as decifre, porque são apenas minhas. Tuas. Nossas.

Margarida Cunha

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cogumelos

Na estrada sinuosa da Serra de sintra, desbravámos caminho em busca de fungos comestíveis e apetitosos. O emaranhar de árvores que deixava a luz entrar pelas frestas de folhas,criava na atmosfera um lugar colorido e luminoso.
Entrámos por Monserrate e subimos os caminhos. Os chantarelos subiam pelas raízes das árvores, cresciam por entre buraquinhos de caruma ainda húmida da noite anterior. A manhã passou como um combóio rápido, velozes carruagens que passam umas depois das outras, unidas.
O Outono pintou a serra de laranja e amarelo, e Monserrate ao longe deixa-se brilhar por entre as árvores e ramos. E lá ao longe destaca-se no azul do céu, grandioso.
Enchemos os cestos de cogumelos e o coração de novos amigos. E todos juntos ganhámos conhecimento e amizade.
Gostámos da manhã, que acabou em grande a comer os tais fungos (comestiveis e não toxicos, será?), e em animado convívio , proporcionando sorrisos e brilhantes olhares.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

mix de músicas e escritas..

"Sou a mariposa bela e airosa que pinta o mundo de cor de rosa". O mundo de sonhos que se enquadra no imaginário de arco-iris e cores fortes. Combóios de caleidóscopios e bombons para cães. Um piano do qual sai uma música indefinida que nos faz dançar freneticamente...
"És um marujo da banheira.. já se vislumbra uma desgraça.. és um patinho de borracha" . És um boneco de neve mascarado de fantoche, um espanta-espíritos boneco de porcelana e não é por isso que deixo de gostar de ti. E esse teu chapéu de palha mais faz lembrar um espantalho. És bonito por dentro e isso é o que mais importa!
Um gira discos que gira. No relógio já marca a hora do nosso encontro. Sinto borboletas no estômago e flores na barriga.. " A noite vinha fria negras sombras a rondavam". O frio gélido do vento penetrava-me os ossos , mas o calor do nosso encontro superava-o. "e acaso nos tocar o azar, o combinado é não esperar, que o nosso amor é clandestino".
"Anda, desliga o cabo que liga a vida a esse jogo. Joga comigo um jogo novo" .. Porque afinal a vida é um jogo em que o fim é a morte. Nela passamos várias etapas, cada uma mais dificil que a outra, mas os bónus são cada vez maiores e melhores. E é isso que nos faz acordar cada dia e darmos graças por estar vivos... " Sai de casa vem comigo para a rua, que essa vida que tens,por mais vidas que tenhas é a tua que mais perde se não vens!"
Mas há dias de chuva e vento em que acordamos sem vontade. Dias em que as torradas saem queimadas e o dia simplesmente não parece dia, dias cinzentos, sem cor. Dias sem beijos debaixo de chuva, sem danças e movimentos que façam o dia valer a pena. " Um passo em frente dois atrás". Dias em que o caminho se faz como o caranguejo, para trás... "Não te quero dar mais esperança" Dias em que amores são terminados... " Mas se tu dançares comigo, e aos meus passos dares sentidos não me alegras mas conquistas" .. Mas se na dança do adeus nos envolvermos, a despedida não é tão dolorosa, o movimento embala-nos em sonhos passados e presentes.. em que o dia já tem mais cor e felicidade.
"Tu não tens a noção de mim. Quantas vezes queres e não tens ?"
O querer é tão forte que nos embala numa espiral impossível. O problema é não termos noção dos outros que nos envolvem neste jogo da vida. Gostar dele é tão dificil, e tão impossivel que nem vale a pena querer tanto o querer, é preciso parar o querer que queremos?
"Ele passou por mim e sorriu, e a chuva parou de cair" . No instante em que ele me olhou foi como se um super guarda chuva se pusesse em cima de nós. Tudo parou. Apenas estávamos ali os dois. O entulho saiu dos lagos, e os graffitis sairam das paredes. Aquele bairro urbano tornou-se num bosque onde os pássaros cantaram e as flores despontavam. As folhas de multiplas cores caiam sobre nós e no metro apertado o ar fluia colorido e cheio de cheiros a bagas silvestres. O puto do cão com o seu acordeão fez a música entrar no metro no qual todas as pessoas dançavam. Afinal estávamos num baile todos vestidos a rigor. E dançámos os dois. Foi bonito e inesquecível. O que o amor faz....


Texto elaborado com excertos de músicas de Deolinda.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Bailado do Quebra Nozes

Numa altura em que a cultura está cada vez mais a precisar de novos "adeptos" e renovado cartaz, com o uso das capacidades criativas dos seus autores e daqueles que para ela trabalham, é necessário pensarmos como podemos apoiar a actividade cultural da nossa zona de residência? E como ? O primeiro passo será informarmo-nos acerca da mesma.
Hoje em dia a lógica de mercado é vender, e temos de procurar os espetáculos que não nos dão aquilo que queremos ver. Se vamos ao Teatro, por exemplo, é para aprender algo novo, para captar uma mensagem, e se esta vem simplista e a dar-nos apenas momentos agradáveis e gargalhadas, passamos um momento divertido mas não passa disso. É preciso compreender que para transmitir uma mensagem é preciso ser controverso, e por isso desagradável por vezes. Às vezes precisamos de ver o que não queremos, para perceber que aquilo sempre esteve ali, que aquela mensagem subjacente é o que devemos olhar atentamente para podermos fazer alguma coisa!
Hoje vou ver um bailado, no centro cultural Olga Cadaval, em Sintra. Como sempre antes de qualquer espetáculo, estou ansiosa e curiosa pelo que vou ver. O mais interessante é que este bailado está composto em várias versões e se nunca acaba é porque as companhias de bailado sabem renová-lo, recriá-lo, remexer nele para torná-lo em algo novo e mais uma vez pronto a ser visto. Afinal reciclar desta forma não é o que de facto é a arte?