quarta-feira, 26 de maio de 2010

devolva-me



A vaguear por entre recordações, lembrei-me de como a música foi uma "terapia" importante junto de mim, sendo esta capaz de me dar uma força incrivel, inexplicável perto de sobrenatural.

Muito tenho a agradecer à Adriana Calcanhoto e a esta música, que ouvi muito enquanto tinha o meu "coração partido". Foi muito bom, olhar para trás e ao ouvi-la consigo recordar tudo aquilo que efectivamente sentia enquanto a ouvia ha uns dois anos. Lembrei-me das brincadeiras de menina pequena, dos momentos passados nesses tempos e sem querer parecer demasiado saudosista ou melancólica, custa-me a crer que o tempo se passou a este ritmo tão frenético, quase imparável. E deixa-me esta questão, deviamos ter direito a saborear a vida, por mais tempo. Assim deste modo, as nossas papilas gustativas não fazem o seu total efeito. É estranho. Tenho saudades e vontade de pôr o tempo a andar mais devagar. Pois é, para o ano já vou para a faculdade, fazer novas descobertas e cruzar-me com pessoas diferentes.

Vai ser óptimo, claro. Mas apenas podia não ter sido tão rápido. E agora é a minha vez de pedir ao tempo: DEVOLVA-ME.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

até ja

Sabem aqueles momentos em que não vos ocorre mesmo nada?

Dá-vos uma espécie de “stand-by” e não sabem o que fazer do momento, falta-vos a língua, a palavra escorre-vos pela alma abaixo e não se faz ouvir?

E no fundo, intimamente, vocês sabem que isso acontece porque não têm o que fazer ou dizer, mas é preciso partilhar, pôr algo a mexer?

PONHAM RETICÊNCIAS …

Seja qual for a teia de palavras em que se enredam, há sempre espaço para reticências..

Reticências em tensão, em alegria, em foco, em silêncio, em grito uníssono, em dança, em trabalho, em gargalhada..
Nunca desagregados ou perdidos, RETICÊNCIAS atrás da palavra.

Porque é que me sinto quase entrelaçada por fios invisíveis, ligações quase perfeitas e únicas?
Porque é que a Ângela tem agulhas de tricot, se nunca tricota na peça? Porque é que a Laura usa uma vassoura como detector de metais? Porque é o Rui Mário tem um cabelo tão fofinho, que champô usará? Porque é que a Inês Frias ficou pintada nos lábios depois da cena Noku? Porque é que o Fábio diz "natas" com tanta convicção? Porque é que o Rúben tem um cachecol cor de rosinha? Porque é que o Nuno usa um megafone e eu não? Porque é que a Bia não consegue descansar? Porque é que o David tem uma banana que é um comando e depois a come? Porque é que o Miguel fuma ganza por um aerossol? Porque é que o Mário tem a mania que toca o instrumento estranho? Porque é que a Cláudia é que diz verdade ou consequência? Porque é que a Bárbara a meio da peça saca do menino da lágrima? Porque é que Paulo diz blufalliciouuuuuuuse? Porque é que a Catarina tem a mania que inventou os kompensans? Porque é que o Luís é uma figura puxada por heroína? Porque é que a Thais diz casa com jardim dim dim e OJOS? Porque é que a Inês Bento grita quando diz HELICOPETRO TELECOMANDADO? Porque é que a Elsa fala sempre em cuecas às bolinhas? Porque é que a Tânia sendo cabeleireira tem um andar tão fino?

Vocês fizeram-me perceber, que há coisas que não merecem resposta. Simplesmente são.
Se as respondessemos, perderiam toda a magia. Enfiámos 12 candeeiros em palco, somos mesmo muita bons. TRAZEMOS O REI NA BARRIGA, ANDRÉS!
Tal como nós somos, quer estejamos presos ou ligados fisicamente.
E VOU SER UMA LAPA, sempre a colar-me aos vossos aquecimentos. Vai ser lindo.
Até já, sempre..

segunda-feira, 17 de maio de 2010

perspectivas


Tão empenhados em sentir as coisas de forma diferente, mais bonita, mais autêntica e verdadeira, que acabamos por esquecer que basta saír do lugar onde estamos e partir para outra, por vezes mais alto, maior..

Um lugar de onde colocamos uma espécie de óculos que nos permitem observar a vida de uma forma renovada, pintada das cores com que sempre sonhámos. Basta encontrar um muro aos triângulos, de onde a Serra, as árvores, os castelos e os pássaros parecem maiores e cuja matéria onde o musgo é tapado com cal.. e não nos sentimos como somos, mas pequeninos quando comparados à Sintra mágica que observamos.

A Vida não é só feita da realidade que a compõe, mas também da perspectiva, do plano de onde, espectadores silenciosos e atentos a observamos, a cheiramos e a tocamos.

Como uma paisagem vista de fora, e dentro de um triângulo regular, com o qual podemos esconder momentaneamente o que mais tarde nos parecerá insignificante..


{12-05-10}

domingo, 16 de maio de 2010

tecla branca, tecla preta


Uma tecla, um som.. Talvez uma nota desafinada.

Sem melodia ou sentido.

Não fossem as teclas que variam os tons, as sustenidas, que sustêm sentidos. Sentidos, direcções.. ou interpretações de conceitos definidos por nós e pela nossa percepção. Nada nos garante que a definição esteja certa. Afinal não passa disso, uma definição.

Uma tecla tão insignificante, mas sem a qual o todo ficaria quase sem significado; diminuido, sozinho.

É por isso que ignoramos o que nos parece pouco ou pequeno. Mas quando percebemos que essa fracção nos falta, que precisamos daquela tecla para tocar a música, apercebemo-nos do quanto tudo é relativo e aprendemos a dar valor a tudo o que é pormenor e nos rodeia.


12/05 .. esse mês de Maio!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

papa-móvel

foto tirada na exposição- Leal Da Câmara (jornal o Diabo)

Esta visita de Sua Santidade, o papa Bento XIV, a quem algumas más-linguas denominam o pastor-alemão que atrai milhões de "ovelhas" em carreirada, tem muito que se lhe diga..
Já no tempo do cartoonista, (um dos primeiros do nosso país e que deu rumo a esta forma de arte crítica) considerava uma grande contradição na forma como estas figuras, apoiantes dos preceitos da Igreja, que inclusivé encoraja e exalta a humildade (Jesus Cristo, nasceu, viveu e morreu na maior das pobrezas e humildades), pode ostentar tanto luxo e regalias, e ao mesmo tempo fechar no núcleo muito restrito tanta informação que para ser escondida, alguma razão terá.
Bem sei que todos estes assuntos, que estão na ordem do dia, têm sido muito falados e acredito até que a opinião esteja muito centralizada e direccionada para um certo caminho,até porque a comunicação social se encarrega disso; mas não posso deixar de referir os casos de pedofilia na Igreja que me repugnam e revoltam.
Como é possível que um homem, padre,Papa e líder de uma Igreja pôde omitir e encobrir todas estas verdades que são tão chocantes e assustadoras? Vivemos, sem dúvida neste momento uma crise de valores, mas desde pequena aprendi que "tão ladrão é o que vai à horta, como o que fica à porta", ou seja, quando alguém encobre uma acção tão grave e errada, aos olhos da lei e da moral é cúmplice.
Conheço bem os princípios da Igreja e da Bíblia, e considero que a maior parte deles possam ser um ensinamento e transmitam valores, não pelo valor religioso que possuem, mas porque são regras para uma conduta e para uma vida feliz e espiritualmente preenchida.
Conheço também a evolução da sociedade e do conhecimento que a acompanha lado a lado e é compreensível, mesmo para quem não tenha vivido no tempo antes do Estado Novo, que as mentalidades hoje estão finalmente a mudar. E uma Igreja, apesar de não poder agradar a todo um povo e de não poder fugir à Sagrada Escritura, deve acompanhar esta evolução.
A Inquisição foi das organizações (se é que se pode chamar assim) que matou e torturou mais homens, quando e bem sabemos, um dos valores que se proclama nos mandamentos é a Tolerância. E hoje em dia, esta barbaridade já não é aceite nem defendida porque sabemos que vai contra as leis não só de Deus, mas os próprios Direitos Humanos. Houve uma Evolução.
Uma adaptação da Igreja à evolução de toda uma História mas também da sociedade.
E eu hoje pergunto-me, porque é que, aos olhos da Igreja alguém casado pela Igreja não se pode separar? Pergunto-me porque é que um padre não pode casar-se, quando sabemos é possível nutrir amor para com uma fé e para com alguém e as próprias leituras exaltam o Amor? Pergunto-me o porquê de a Igreja não aceitar a homossexualidade como uma realidade que pode ser compatível com a Religião. Pessoalmente, não me identifico com uma orientação homo, mas nunca iria deixar de falar com alguém ou negar-lhe ajuda apenas por ter uma orientação sexual diferente da minha. Antes de sermos caracterizados por religião, orientação, escolhas, somos Pessoas. Seres humanos que merecem viver em união.
Depois das notícias acerca de todos os movimentos do Papa, pergunto-me qual a mensagem que isto nos trás? Estaremos a viver uma altura, como país e sociedade que justifique todo este protagonismo e importância à volta da questão?
E o Estado? Qual é o papel dele no meio disto tudo? Estará correcto, "parar o país" apenas porque um líder da religião católica (que é a maioritária no país)? Estamos em crise.
É um facto que as contas prova, o país está neste momento individado. E o Estado deve ser um orgão imparcial, laico.
Para fundamentar a minha opinião e me enriquecer, foi uma definição que levantei.

A palavra laico significa uma atitude crítica e separadora da interferência da religião organizada na vida pública das sociedades contemporâneas.

Que siga os ditames da sua consciência (quer no caso em que se acredite que seja divinamente inspirada, quer pela razão, intuição, estética ou qualquer processo pessoal), ao invés de seguir, ou obedecer cegamente às regras, hierarquias e autoridades morais ou eclesiásticas de uma religião organizada.


Penso que não restam dúvidas da acção que o Estado deveria ter perante esta situação.

O Papa está neste momento em Fátima, local onde amanhã irá dar uma missa há qual assistirão milhares de portugueses afastados dos seus locais de habitação e trabalho propositadamente para assitir à mesma.

Custa-me também olhar para um país, cujo governo é socialista, que está neste momento a (des)evoluir em mentalidade e campo de acção.

Logo a seguir à Implantação da República, em 1910, o partido da altura, seguiu à risca este princípio do Estado, retirando das escolas os símbolos religiosos ainda apresentados na altura nas salas de aula (cruzes e imagens católicas), "restos" da educação e tradição ainda deixada pelas imposições do Estado Novo; o que a meu ver é muito importante para que haja alguma imparcialidade nas decisões e condução de um país no qual estamos no direito livre de exercer a escolha de uma religião, espiritualidade que deve ser respeitada e aceite. Se assim não fosse escolhiamos ser governados por um líder religioso!

Ainda é de referir que o papa, enquanto cá esteve a proclamar o seu discurso, muito vangloriou o Cardeal Cerejeira, patriarca que dirigiu a Igreja Católica durante.. adivinhem.. O ESTADO NOVO! Pois é. Era íntimo de Salazar, e apoiante do Estado Novo, inclusivé acordou com Salazar muitas das medidas que este último tomou em relação à Igreja.

E depois de tudo isto, pergunto-me.. estamos a caminhar para um progesso e uma abertura de mentalidades, onde podemos ter uma opinião e defender os interesses de um País, uma sociedade, com uma política capaz de pensar primeiro no sucesso; ou continuamos a rumar para um país de aparências; com uma dívida a crescer, um progresso a diminuir e uma mentalidade a fechar-se de novo ?

Acho que vale a pena pensar nisto.. Quem tinha razão era o Leal da Câmara. Já agora, vejam a exposição no museu de arte moderna de Sintra (entrada livre), e fiquem a conhecer um bocadinho mais sobre esta fantástica personalidade da nossa zona, e que pensou muito à frente para a época dele, e contribuiu muito para uma liberdade de opiniões e pensamento !

Aproveitem para ver o World Press Cartoon, e façam o paralelismo com Leal da Câmara, é muito interessante. E digam de vossa justiça!



Matrioskas


Não é isso que somos todos?

Bonitas bonecas expostas ao Mundo, revestidas de pormenores detalhados e coloridos. No interior da grande carapaça que nos faz parecer enormes e de expressões largas e certas, encontram-se réplicas iguais a nós em essência, mas de tamanhos vários e de pormenores e cores diferentes, que experimentamos em várias situações da vida.

Dentro de nós estão várias personalidades (nossas) mas com algo a menos... Ou algo a mais, nunca é possível descobrir!

Há momentos em que olhamos o Mundo através de uma vitrine, encostadas a milhares de livros, a sentir o cheiro das palavras a fervilhar de ansiedade para ser bebidas, cheiradas, engolidas, quem sabe um dia ditas e libertadas.

Outras aderem como ventosas a paredes repletas de recordações, vivências e acontecimentos, enquadrados num espectro variado de contextos, pessoas e ambientes.

Há matrioskas que esvoaçam junto ao corpo de pessoas e chegam a perder a identidade, porque passam a pertencer àquela imagem, àquele algodão, àquela alma. São matrioskas.

Cheias de capas detalhadas que protegem o seu pequenino e fundo tesouro interior.


11/05/10

domingo, 2 de maio de 2010

Entre querer e crer

"De sábio e de louco todos temos um pouco"
Hoje confrontei-me com uma lucidez por vezes um pouco "adormecida", uma lucidez por vezes perdida e não totalmente real, ou pelos menos não tão real como gostaria.
Nos momentos em que me sinto mais desanimada com o que vivo e sou, agarro-me sempre com raízes fortes e duras a um incerto de grandes dimensões ao qual me agarro momentaneamente, com a verdade escondida dentro de mim que nunca o irei alcançar.
Muitas vezes as barreiras somos nós que as criamos, mas as verdade em que acreditamos também. E porque não acreditar apenas em mim? Porque preciso de inventar algo muitas vezes disforme e enevoado de tão pouco palpável que é ao qual me agarro e comunico a todos que me agarro, mas que sei que não existe dentro de mim? Ou estou mais uma vez a tentar mostrar a mim mesma que não há limites e que posso sonhar o que quiser ?
Sempre ouvi dizer que voos demasiado altos, implicam quedas dolorosas. Mas ainda que um pouco lesionada depois de uma queda, a solução não pode ser ficar quieta a ver os outros voar.
Qual será a solução?
Às vezes parece que a Verdade não é a minha verdade. Mas tenho de parar de acreditar no que QUERO e começar a acreditar no que me aparece. Por mais dificil que seja...A verdade interior é mais complexa, e só se cria a partir do que absorvemos (ou não!) de fora.

" A verdade é um Sol pousado em lágrimas liquidas interiores, que ainda não se desprenderam do ciclo fechado para se tornar palavras ?! "