domingo, 26 de abril de 2009

flores

É verdade. Nem todas as margaridas são flores, mas esta é.
Esta margarida não é vaidosa, apenas pequenina e por vezes ofuscada por flores maiores e mais bonitas: por grandes tulipas amarelas ou por vistosas violetas. O sonho dela é encontrar um girassol, mas no fundo ela percebe como são raros nesta vida os amores-perfeitos. O quanto é dificil cultivá-los. Ela sabe que para que estes cresçam são precisas pequenas grandes atenções a cada segundo de todos os dias desta vida.
E sabe também que se estes não forem posicionados no lugar certo onde incide o Sol, acabam por morrer com excesso de calor. Que precisam de água para não morrer à sede, mas que se esta for exagerada os faz perder a cor e a essência e um dia mais tarde, eles acabam por murchar.
O dificil na vida da margarida é que a Primavera está a chegar, e com ela chega uma vontade imensa de iniciar a grande procura por esse girassol bonito e espadaúdo, cheio de vitalidade e alegria para lhe dar. Mas a Primavera não é só uma estação romântica e aliciante, pois é por esta altura que todas as flores revelam aquilo que realmente são, e por vezes, quando essa realidade chega vem com ela uma grande desilusão seguida de pequenas lágrimas de orvalho. Quem disse que as flores não choram ?
Apesar disso, o pior é a certeza de que neste grande jardim da vida, muitas vezes as flores diferentes, mais únicas são irreconhecíveis e por isso arrancadas e pisadas como se fossem apenas meras ervas daninha.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

paki

Subitamente, foi como se tivesse visto uma saida, uma nova porta por abrir, uma vida nova.
Uma entrada para um lugar diferente, escondida até àquele dia com uma parede falsa que rapidamente desmascarei. Talvez demasiado rápido, demasiado cedo.
E tinha chegado a hora de explorar, de descobrir e sentir tudo o que estava por trás daquele portal.
Assim que coloquei o meu primeiro pé no seu interior, comecei a descobrir diferentes sensações, a experimentar o absurdo e a viver o puro non-sense, mas assim que voltava para trás restava um grande silêncio, demasiado áspero para ser suportável.
Todo o êxtase antes sentido era agora anulado, eu própria era auto-anulada e dentro de mim promessas giravam como que a dizer a mim mesma para não voltar ali.
Mas a expectativa superava o receio, a crença de que viria a ser maior, melhor e mais alucinante aquela experiência. A curiosidade de entregar o meu corpo e os meus sentidos àquela doce passagem para o surreal.
E as vezes que lá voltei excederam-se.
O êxtase ia subindo vertiginosamente, mas também o silêncio após isso era cada vez mais insopurtável e começava a matar-me. Era sucessivo e constante e aterrorizava a minha própria noção de sentir.
Jurei nunca mais voltar àquela entrada que avança para mim como um buraco no qual me parece nunca nesta vida deixar de caír.
A saída para os problemas tornara-se uma entrada para um Mundo ilusório que me quer aprisionar no seu interior, dispersando nele a minha identidade e deixando saír apenas o meu corpo.

'e agora suspensa num silêncio defunto, espero no ténue fio que separa este lado do outro, alcançar um ponto de equilíbrio... sem caír... '

terça-feira, 21 de abril de 2009

momento


olhar atento,
passo certeiro.
Sozinha
sozinho
sozinhos,
perdidos num momento.
um segundo que espero
silenciosa, em segredo.
dar-te um pouco do meu tempo
mostrar-te o meu mundo
eu dava tudo
por apenas um momento.