domingo, 22 de novembro de 2009

deste lado da janela


(2007, A.G. pela Leo)

E mais uma vez, finge que vive.
Perturbada pelo silêncio de um rádio estragado que emite ruídos que mais parecem gritos acumulados. Sentada no quarto, de caneta em punho, deixa transparecer no papel as palavras atabalhoadas que lhe escorrem pela caneta abaixo.

Por um só momento fecha os olhos e sorri.
As frases que se lhe atiram na alma, as pequenas palavras que a perturbam.

E no tecto vê uma mancha que se desdobra como bolas de fumo que desvanecem. Chega a questionar se enloqueceu.
Tantas pessoas que passam, confirma.
E para quê?
O desgosto do absurdo invade-lhe o espírito.

Demove-se de quase tudo e deseja abstraír-se por um momento. Mas não consegue. É simplesmente demasiado difícil.
A solidão amedronta-a. Rodeada de memórias, é a solidão que a assola. E a dúvida e o medo.
Deseja ser outro ser. Talvez um insecto que voa e observa tudo de forma diferente. A questão é essa. Ver tudo de forma diferente. Outros olhos, perspectivas melhores. Sonhos que brilham em frente.

Supostamente para alcançar isso, não era preciso ser um insecto.




( 8/9/9)

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