quarta-feira, 22 de março de 2017

What is home?


This monday morning on a lecture, the professor gave us a big sheet of paper and ask us to draw, representing "home". This was an exercise that was supposed to made us think about place and place making from a cultural point of view.

She told us we could choose words as well, but only three. Quite a task for a monday morning!

The results were surprising. As a heterogeneus group - with members from England, Wales, France, Taiwan, Japan, Brazil - it was quite interesting to see that "home" can have so many different dimensions and meanings. "Home" can be defined by emotional images of place - many of us represented family, or exaggerated certain physical features that relate to emotional responses they trigger in us. When I looked at my drawing (which was almost impossible to understand because I am an awful drawer, btw) I understood that the great part of my picture represented outdoors: the mountain (with a castle on top - with a portuguese flag, of course); the sea; trees and Lisbon city night - with popular saints decorations, tables outside, and the clothes hanging from the houses' windows. One of the most interesting things about this exercise, is that I found myself drawing the things I miss the most about home: the freedom of being outside by the sea in open spaces, with friends and family, sharing a meal and enjoying outdoors. That is why I chose the words: roots, together and outdoors. This made me think that the way we experience places (even in our imagination) is also shaped by our previous and present experiences. I am pretty sure that if I did this exercise while I was at home, I would have selected different aspects. This is one of the other reasons I believe escaping out of our confort zone is so important for our development. In fact, if you stay apart from a place - whether physical, emotional, professional - you will find it different when you return. You will discover new value in it. So, this exercise reminded me of the things I miss the most, but also created in me a renovated hope: that when I return, I will experience home in many other dimensions.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

De volta



«Regresso devagar ao teu

sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. 
(...)»

Manuel Pina, Amor como em casa  in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde" 


Há quem diga que não devemos voltar onde já fomos felizes. Que tudo tem o seu tempo, mas eu cá não concordo. Acho que devemos não só voltar onde fomos felizes, mas também dar a isso mesmo um novo sentido, como se renovássemos as nossas memórias e as tornássemos ainda melhores. 

É por isso que, passado tanto tempo volto ao blog, este espaço onde tanto escrevi e cresci, trazendo algo novo. Aqui vou postar as minhas aventuras e desventuras num ponto de viragem da minha vida, não só de crescimento pessoal, mas de redescoberta ! 

Até breve!


Some people say that we shouldn't return to places where we have been happy before. That there are some moments in our lives that are supposed to be kept in memory and that's it, but I simply can't agree with that. I think we must return where we were happy to create something new, and turn our memories into something even better.

 That's the reason why, after so many time, I've decided to come back to this blog, to this space where I wrote so many things about myself, and where I left a testimonial of my growth, bringing, at the same time something new. I'll post my adventures and share that with you, in a decisive point of my life, in which certainly I'll get to know myself better and learn so many different things!

See you


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Uma vida normal

As luzes reflectidas nas gotas de chuva, que vagarosamente 
escorrem pela janela do comboio, anunciam mais um regresso a casa mecanicamente ligado ao conforto da repetida rotina dos dias...

Pus-me a pensar como vivemos de pequenas expectativas tão simples como a certeza inabalável de que vamos chegar a casa, ver as mesmas caras, passar na mesma rua, sentar-nos no mesmo lugar.

Hoje, amanhã como ontém; horas que se multiplicam, repetem e fazem do novo dia; um igual a todos os outros.


Mas será mesmo igual? Quais as coisas que, na sua mínima existência, podem fazer um dia especial, único, diferente? 

Qual o esgar de unicidade e diferença por que ansiamos a cada dia?

Acho que às vezes nos esquecemos, e a expectativa face ao que é hábito pode ser tão ensurdecedora, que quando damos por nós já passou. 


E amanhã repete-se tudo outra vez.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

mais um dia I




As chaves estão na mala, casaco na mão, pequeno-almoço engolido num trago rápido quase automático. Estava na hora de correr para o frio cortante da rua, para o repetido percurso de transportes públicos rumo a uma rotina que parecia recomeçar e não havia meio de se esgotar. “A rotina não se esgota, mas esgota”. Era o que diziam os
seus pés, enquanto as pálpebras pesadas ainda inebriadas por um despertar
repentino, se abriam para que os olhos conseguissem encontrar um pequeno espaço
onde se pudesse sentar no comboio.
Já sentada, mas com a consciência de que seria um descanso
fugaz - visto que teria de trocar de linha numa estação seguinte - tem ainda tempo
para, num gesto rápido e praticamente mecânico, pegar no batom rosa-salmão e o passar nos
lábios para aparentar num look mais delicado um pouco da feminilidade que a
vida rotineira de horários e correrias por vezes lhe tirava.
Desde sempre gostara de observar as pessoas no comboio:
algumas com um ar muito sério, à espera; outras a ouvir música e perdidas no
seu pensamento, mas as suas favoritas eram aquelas que encostadas ao vidro, ou
estiraçadas para a frente dormiam e roncavam em sono profundo, apresentando ao
mundo inteiro uma panóplia de caretas capazes de animar o caminho para o
trabalho.
No comboio seguinte, não há lugar para se sentar. A primeira
imagem que lhe surge neste momento de extremo desconforto é o seu sofá preto,
confortável, onde já dormira longas sonecas. Como gostava que todos os
transportes públicos tivessem sofás onde as pessoas pudessem comodamente chegar
aos seus locais de trabalho. “Havia de minimizar bastantes problemas, pensara.
Os trabalhadores bem-dispostos, lucram mais: decerto havia algum estudo
americano sobre isso”.
Mas como estava a chegar ao seu destino e os pensamentos
altruístas não tinham mais qualquer tipo de utilidade só lhe restou atirar-se
para o fluxo da multidão na esperança de não ser atropelada, pisada ou
empurrada como é costume.

(continua...)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Madrid II- el gato que tiene siete vidas

Há um cheiro que caracteriza as várias linhas de metro de Madrid. As pessoas, essas, têm aquelas expressoes rotineiras de regresso a casa depois de mais um dia de trabalho.
Há um senhor que toca violino em Argüelles. Tiro os phones dos ouvidos por respeito ou por algo no seu olhar que me faz querer ouvi-lo.
Por vezes desafina, mas vale a pena. Alguém importante me disse que quando somos imperfeitos, somos inteiros... mas quando somos perfeitos nao somos humanos sequer!
Vejo um anúncio a uma peça de teatro "el gato que tiene siete vidas"... y yo ? Cuantas tengo?
É que acho que já "morri" e voltei a viver várias vezes...

Madrid I- en el cine

Deitada sobre a água fria daquele dia quente, podia ver os pássaros que voavam sobre si. Cada momento passado naquele pedaço de tempo só seu, cheirava imensamente a uma liberdade que sem saber como, tinha alcançado. Era aquela liberdade que nos permite sermos nós e descobrirmos uma faceta nossa que nao conhecíamos antes.
Percorria sozinha uma cidade desconhecida e partir tinha sido o melhor para aquele momento da sua vida em que se encontrava entorpecida por um gostar nao correspondido e infantil...
Ali, onde as memórias chegavam devagar, pedia apenas para permanecer naquele momento mais tempo, deitada por cima da água cristalina, a ver os pássaros que voavam acima de si. E que mais estava acima de si naquele momento ?

Música- Los peces - Llasa de sella

segunda-feira, 20 de junho de 2011

rambling man

As nuvens corriam pelo céu cinzento a um ritmo frenético. O fluxo da cidade movimentava-se de um lado para o outro. As pessoas apressadas para chegar aos seus destinos fossem eles quais fossem.
De súbito, paro, cansada entre a multidão que na sua lufa-lufa se desloca em todas as direcções. Logo de seguida me sinto apunhalada, ferida por um olhar sem fim nem principio que se cruza com o meu.
Está a pedir-me qualquer coisa, talvez apenas uma palavra. Mas hoje, não sou capaz de a dar. Fiquei petrificada como se dentro de mim as emoções fervilhassem mas não fossem capazes de sair. A respiração estava ofegante e a alma confusa.
As suas mãos miseráveis giram em cada caixote do lixo, em busca da próxima refeição. Mas aquele olhar decadente penetra-me as entranhas, percorre cada bancada da minha alma em busca de um lugar confortável onde se sentar. E senta-se. Fala comigo aquele olhar. Por vezes diz frases com sentido, outras apenas diz palavras-chave como se as lançasse ao vento.
Diz-me que não siga aquele caminho, porque é uma estrada sem retorno em curva vertiginosa permanente.
Alguns, pela velocidade que experimentam, deixam que aquela curva acabe com as suas vidas… outros vão sobrevivendo ali, naquele ninho de decadência e tristeza.
A multidão apressa-se para o seu destino.
Mas há ali alguém que não tem destino.
Quero desligar-me daquele olhar, mas não consigo. Está demasiado perdido, demasiado sozinho. Encurralado numa prisão onde ele próprio se fechou.
Precisa de uma palavra, mas eu não a tenho.
Talvez porque me reconheço naquele olhar e nunca ninguém me ofereceu uma palavra em troca.
Hoje, a vida acolhe-me como um abraço perfeito. Mas os braços da vida, não são infinitos. Não conseguem abarcar todos…
“- Não é assim, Margarida”- oiço - “ Cada um constrói o seu caminho”.
Aquele olhar está perdido, mas sabe o que diz àqueles que passam, e que ainda apressados, conseguem olhar para os outros e ver mais fundo, onde o simples “ver com os olhos” não chega.
Gostava de poder escrever um fim para esta triste história. Mas hoje, depois de ver o fim de um caminho com os próprios olhos, percebo que cada um escreve a sua. É doloroso, mas é a vida. E a vida às vezes custa.
Por vezes parece mais fácil fugir, não viver entre quatro paredes que nos aprisionam e que absorvem as memórias como líquenes colados às árvores. Mas eu já aprendi que quando fugimos, há um certo momento em que tudo aquilo de que fugimos nos apanha de frente. Por vezes desprevenidos, quase sempre em modo avalanche, prestes a levar tudo à sua frente formando uma bola cada vez mais enorme. Aprendi também que para os “sismos emocionais” não há medidas de minimização de estragos. Muitas vezes eles vêm e tornam-se permanentes, levando a mais catástrofes e sucessivamente mais e mais problemas.
Não lhe dou palavras, mas dou-lhe um sorriso.
O sorriso que ele não tem, por ter perdido parte de si, parte da sua vida, do seu caminho.