quinta-feira, 23 de abril de 2009

paki

Subitamente, foi como se tivesse visto uma saida, uma nova porta por abrir, uma vida nova.
Uma entrada para um lugar diferente, escondida até àquele dia com uma parede falsa que rapidamente desmascarei. Talvez demasiado rápido, demasiado cedo.
E tinha chegado a hora de explorar, de descobrir e sentir tudo o que estava por trás daquele portal.
Assim que coloquei o meu primeiro pé no seu interior, comecei a descobrir diferentes sensações, a experimentar o absurdo e a viver o puro non-sense, mas assim que voltava para trás restava um grande silêncio, demasiado áspero para ser suportável.
Todo o êxtase antes sentido era agora anulado, eu própria era auto-anulada e dentro de mim promessas giravam como que a dizer a mim mesma para não voltar ali.
Mas a expectativa superava o receio, a crença de que viria a ser maior, melhor e mais alucinante aquela experiência. A curiosidade de entregar o meu corpo e os meus sentidos àquela doce passagem para o surreal.
E as vezes que lá voltei excederam-se.
O êxtase ia subindo vertiginosamente, mas também o silêncio após isso era cada vez mais insopurtável e começava a matar-me. Era sucessivo e constante e aterrorizava a minha própria noção de sentir.
Jurei nunca mais voltar àquela entrada que avança para mim como um buraco no qual me parece nunca nesta vida deixar de caír.
A saída para os problemas tornara-se uma entrada para um Mundo ilusório que me quer aprisionar no seu interior, dispersando nele a minha identidade e deixando saír apenas o meu corpo.

'e agora suspensa num silêncio defunto, espero no ténue fio que separa este lado do outro, alcançar um ponto de equilíbrio... sem caír... '

2 comentários:

  1. o texto está lindo, a sério. acho que o mais brilhante é mesmo dar para pegar nele e adaptá-lo a um sem número de situações, que continua a fazer todo o sentido e a ter imenso significado : )

    gosto de si, oh Dª MyScene xD [um dia pode ser que te explique o porquê de não seres a barbie e o motivo do texto xD]

    beijinho*beijinho*

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  2. Caminhos que vão dar a nada, caminhos que se cruzam, caminhos com que nos identificamos e outros onde nos perdemos ou encontramos simplesmente porque queremos...
    Caminhos que temos de voltar a percorrer para nos aperceber-mos de que há coisas que mudam e outras são imutáveis, mas nos enriquecem de saberes e de experiência.
    O link para a foto que te envio a seguir faz-me lembrar de quantas vezes neste meio século de vida me deparo com um caminho lindo de fazer, mas que por variadissimas razões tem de ser interrompido e aí o que sobra é a sensação de o termos de voltar a fazer e completá-lo, para que sintamos o dever cumprido.
    http://umsonhochamadomatilde.blogspot.com/search/label/Imagem%20do%20Dia
    Beijos, Dum

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