sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

sozinha

Sozinha, num café fechado, onde a luz não entra e o som é barulhento. Tilintar de talheres, copos e pratos... E continuo a só ouvir-te a ti.
Tenho saudades, de me sentir livre de um peso maior.
Espero um ombro amigo, e no fundo espero também uma resposta. Uma luz ao fundo do túnel. Cliché eternizado, que me indique uma saída, algo reluzente que me mostre qual o caminho que devo seguir.
Em vez disso, sigo um instinto. Uma vontade maior que me comanda. E ela sussurra-me ao ouvido, baixinho, como uma pedra que bate no interior de um objecto metálico.
De repente, um calafrio percorre-me o corpo, a ditar que acorde do sonho em que morro afogada. Mas, já acordada, continuo a sentir um volume de água que se encontra sobre mim. É demasiada pressão. São as memórias que batem à porta e me fazem sentir saudades..
Saudades daquele momento leve em que não existia mais nada, em que os sentidos eram desafiados e um Mundo de ilusões me puxava cada vez mais fundo.
Um jornal cinzento. Passo uma vista de olhos pelo obituário. Eterno descanso daqueles que partem e não ouvem mais notícias tristes... Felizes daqueles que não sabem mais o que é passar em caminhos difíceis.
E não sabem que , para saír deles, é preciso escarpar altas montanhas. Mas a verdade é que, já com os pés cansados e o suor a percorrer o corpo, vale a pena chegar ao topo e ver a paisagem, vale a pena ver tudo aquilo que conquistámos e passámos, agora já com o vento a favor.
Eu sei, porque já lá estive...

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