quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

marioneta




Ao som do acordeão,

palavras esvoaçam.

Um vento intenso,

se pousou sobre elas.

Outono de palavras,

que caem e florescem.

Movimento-me entre elas,

qual caneta.

Prestes a dizer,

o que não foi dito,

naquela noite.

Ao som da vida

desloca-se um vulto,

Cansado...

As suas mãos vacilam.

Queriam-se entrelaçadas,

a outras.

No cimo a Lua canta

sons nunca antes

terminados.

Canta os seus sonhos

amarrotados,

como papel...

Chovem dela

lágrimas turquesa.

Abre o jogo,

sobre a cidade acesa.

O vulto acorda

do sono (quase) eterno

e dirige-se à Lua,

para lhe dizer que

a ama.

Debaixo de chuva,

sem tecto.

Poeta sem abrigo

Comandado,

por sentimentos fortes.

Calado,

mas diz tanto

à Lua que se pousou

quieta.

Saudoso de um amor.

Move-se ao som da dança,

comandado,

como uma marioneta.


(2/2/11)

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