terça-feira, 29 de junho de 2010

ses e certezas


Noite que avança lá fora, cheia de Lua… por aqui, um quarto quente, erguido pelas paredes das memórias. Olhos abertos, despertos pela música que vai surgindo por entre os lençóis revoltos de tanto me virar para um lado. Para o outro. À procura incansável daquele no qual fico mais confortável.
Nesta pesquisa incluo as memórias entranhadas na parede do meu quarto, nas quais constam imagens e pequenos momentos guardados aos quais volto, por vezes involuntariamente. Imagino como seria se tivesse sido diferente. De algum modo diferente… Estaria agora a dormir tranquila, enquanto a noite se agita lá fora?
Palavras suspensas, agarradas por um “se”, condição que as mantém pendentes e as impede de cair e se desvanecer… Já se teriam desvanecido, as palavras se tudo fosse diferente.
Mas depois, interrompo este pensamento, como se acordasse para a realidade de que quando caminhamos em certa direcção, os acontecimentos dirigem-se em gradação, em escala para nós e por vezes só quando o termómetro está prestes a rebentar com as temperaturas altas que experimenta, é que nos apercebemos que é hora de voltar para trás.
E depois, tanta é essa vontade, que tentamos a toda a custa, procurar nas nossas memórias recentes, momentos, perdidos, fragmentados em que nós próprios fugimos a estas direcções que hoje nos espezinham e humilham. E estes momentos, são meras suposições, condições.. palavras sempre suportadas por “ses”. Eles são perigosos, porque são incertos.
Mas já estão muitas silvas desbastadas, há muitos espinhos que não magoam mais. E a cada dor que se põe fim, nasce uma pequena semente de certeza : a certeza de não querer mais aquela dor tão forte para nós.
Esta semente, se bem cuidada, se criadas por nós as condições certas, cresce, e começa a despertar em nós o caule forte da certeza, que vai dar frutos..


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