terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Fernando Pessoa e eu

“Há no firmamento
Um frio lunar
Um vento nevoento
Vem de ver o mar “

Fernando Pessoa


A lua pousara-se no céu com a suavidade de uma pluma. O vento gélido fazia a pluma voar e girar e a lua dançava ao som de um sopro violento.
Eras tu e eu, naquele girar profundo que só o mar sabia em segredo. O nosso está fechado a sete chaves, como se de um tesouro se tratasse. Um tesouro só nosso que ninguém poderia encontrar.
O mapa escreveste-o num código impossível de decifrar por alguém que não nós.
Só a Lua estava presente no dia em que me beijaste por baixo de um céu estrelado.
De seguida, de mãos dadas decidimos dar nomes às estrelas e familiarizar-nos com as constelações. Dançámos com a lua entrelaçada nos braços e as estrelas rodopiavam à nossa volta com a música que emanava dos nossos corpos. Apesar disso a lua estava ali sem o querer, queria ver o mar, seu longo e eterno amado que de tanto gostar dela a reflecte nas suas ondas.
Assim, tu , reflectes em ti cada passo que dou, cada palavra que proferimos juntos a sussurrar para que ninguém as decifre, porque são apenas minhas. Tuas. Nossas.

Margarida Cunha

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