domingo, 30 de janeiro de 2011

nuvéns

Esvoaça no céu um fumo negro, de um combóio. Este avança, na linha férrea a uma velocidade estonteante... Atrás dele corre um crocodilo de um verde esmeralda, esfomeado para o apanhar. À volta vemos uma cidade, toda branca, alguém de dimensões maiores, a polvilha de neve como se de canela para pastel de nata se tratasse.
A expressão do homem que polvilha neve, é a de alguém que tem fome, talvez não coma há alguns dias, e tem estômago até para um crocodilo.
Ao longe, dois dragões dão um beijinho. Estão apaixonados. Eu sei porque consigo ver corações à volta deles, tal é o amor que proclamam. Têm fogo dentro de si, e não é por serem dragões , mas pelo fogo da paixão cujas labaredas amarelas e laranja forte crepitam.
Uma luz ... de um farol, talvez que dá direcção a todos os coelhinhos perdidos, e que têm de atravessar a linha de combóio sob dois graves riscos: levar com o combóio ou serem comidos pelo crocodilo, que desviando o olhar do combóio vislumbra nos coelhos um óptimo aperitivo digno de gourmet.
Dentro do combóio acenam pessoas, talvez com a esperança de eternizarem uma despedida, pô-la no cantinho da memória onde o tempo não chega e se acende a luz do coração. É possível ver na expressão deles a saudade que sentem ao partir, e por outro lado a felicidade de uma nova estação de chegada, de um novo destino.
Ao cimo dois olhos gigantes, preparam-se para chorar. "Desgosto de amor", palpitas tu.
Mas a mim parecem-me olhos de solidão, aquela desesperante, que nos faz sentir os únicos no mundo. Começa a chover.
As pessoas do combóio fecham as janelas, e tiram para dentro os lenços brancos da despedida. É assim, são obrigados a conter aquele sentimento desesperante dentro do combóio, dentro de si próprias.
A mãe coelho abre o guarda chuva às bolinhas, segurando nele para proteger os filhotes e o crocodilo delicia-se com um bom banho, esquecendo a necessidade de almoço.
O gigante vai para dentro, parando a neve polvilhada de caír sobre os vários arranha céus da cidade.
E rapidamente tudo se desvanece como pó.
"Foi bom ver isto tudo" , pergunto-te.
"Sim, é sempre bom observar as núvens "

Sem comentários:

Enviar um comentário